FEMINICIDIO
POR QUE TORNOZELEIRA USADA NO ASSASSINO DA EX GUARDA MUNICIPAL NÃO EVITOU O 37º FEMINICÍDIO EM MS?
FONTE: PRONTO FALEI POR: REDAçãO CREDITO: REDES SOCIAIS/LEANDRO HOLSBACH
A morte de Alliene Nunes Barbosa, de 50 anos, na madrugada desta segunda-feira (24), em Dourados, expôs mais uma vez as fragilidades no cumprimento das medidas protetivas em Mato Grosso do Sul. A ex-guarda municipal foi morta com 23 facadas pelo ex-companheiro, Cristian Alexander Cabeza Henriquez, que usava tornozeleira eletrônica e estava proibido de se aproximar dela.
Alliene havia registrado boletim de ocorrência no início de novembro e possuía medida protetiva de urgência concedida pela Justiça. Mesmo assim, o agressor entrou na residência sem que o sistema emitisse alerta.
Segundo a Agepen, o alarme não disparou porque o endereço onde Alliene estava não correspondia ao que constava no sistema, impedindo o sensor de proximidade de identificar a violação do limite de 300 metros.
A agência ressalta 577 agressores monitorados no estado utilizam tornozeleira eletrônica vinculada a medidas protetivas e que apenas em parte dos casos vítima e agressor são monitorados simultaneamente. Não era a situação da vítima de Dourados.
O secretário de justiça e segurança pública, Antonio Carlos Videira, afirmou à reportagem que para enfrentar o feminicídio é preciso combater a violência doméstica, incentivar o empoderamento da mulher e abrir canais que facilitem a denúncia.
“Este bárbaro crime que vitimou uma ex-guarda municipal, uma agente da segurança em Dourados, esfaqueada, traduz o quanto é importante nós estarmos cada vez mais focados na preservação da vida”.
Ele reforçou que medidas protetivas exigem atenção permanente das autoridades e também cautela por parte das vítimas.
“Na medida em que você está com uma medida protetiva, você há de se ter uma cautela e adotar procedimentos, porque o judiciário já entendeu que você está correndo esse risco, o Ministério Público manifestou-se favoravelmente, a polícia está ali para te ajudar, mas nem sempre vai dar tempo”
Apenas em 2025, do dia 1º de janeiro até hoje, foram concedidas 11.721 medidas protetivas, enquanto 732 foram negadas e 4.573 revogadas. Ao todo, 6.416 medidas seguem em vigor no estado.
