• Terça, 11 de Agosto de 2026

MS REGISTRA MAIS DE UM CASO POR DIA DE ATAQUES DE SERPENTES E PMA ORIENTA SOBRE CUIDADOS

FONTE: DOURADOS NEWS POR: FABIANE DORTA CREDITO: POLICIA MILITAR AMBIENTAL


Mato Grosso do Sul registra, em média, um caso por dia de ataque serpente, em que a vítima acaba na rede de saúde. Dados mais recentes da CVSAT/SES (Coordenadoria de Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica da Secretaria de Estado de Saúde), acerca de acidentes com animais peçonhentos, apontam que até novembro deste ano, foram registradas 458 ocorrências.

Essa quantidade é 12,5% menor do que a contabilizada em todo ano passado, quando foram 530 casos.

“A redução dos índices de acidentes é multifatorial, mas atribuímos boa parte desse resultado positivo à Educação Ambiental. Existe hoje uma maior conscientização tanto da população urbana quanto do trabalhador rural. No campo, percebemos que o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como botas e perneiras, tornou-se uma prática mais rígida. Além disso, as campanhas informativas fazem com que as pessoas evitem o confronto direto com o animal, o que reduz drasticamente as chances de um bote ou picada acidental”, explica a major Thamara Moura, subcomandante do 2º BPMA (Batalhão de Polícia Militar Ambiental) de Dourados.

Ela lembra que esses animais não “invadem as cidades por maldade”, mas se movimentam em busca de alimento, abrigo ou parceiros para reprodução. “O crescimento urbano próximo a áreas de preservação favorece esses encontros. Já resgatamos sucuris em veículos e jiboias em estruturas residenciais”, explica.

Na terça-feira, dia 16, o 2° BPMA capturou em Dourados uma jiboia enrolada na suspensão de um carro. Foi necessário levar o veículo até uma oficina mecânica, colocar em uma rampa para visualização e retirada do animal, que estava enrolado debaixo do veículo, entre a suspensão e o escapamento. Em junho deste ano, a equipe também resgatou uma sucuri de 2,5 metros na parte de baixo de uma caminhonete.

Segundo a major Thamara, a maior quantidade de capturas do batalhão envolve a jiboia, uma serpente que não inocula veneno e, portanto, não é peçonhenta.

“Ela é comum em áreas próximas a fragmentos de mata por ser muito adaptável. No entanto, também atendemos ocorrências com espécies peçonhentas como a jararaca e a cascavel. Independentemente de ter veneno ou não, tratamos todos os espécimes com protocolos de segurança para garantir a integridade do animal e da equipe”, explica.

Ela lembra que se o animal estiver em seu habitat, como uma margem de rio ou mata, e não oferecer risco direto, a orientação da autoridade ambiental é não interferir. “A captura só ocorre quando há risco para a população ou para o próprio animal”, complementa, lembrando que a maioria dos acidentes ocorre por descuido no manuseio ou pisada acidental em áreas de vegetação.

O QUE FAZER?
A major lembra que o que atrai a serpente, geralmente, é a oferta de alimento. “Entulhos, restos de construção e lixo acumulado atraem roedores, que são a base da dieta de muitas serpentes. Locais úmidos, escuros e pouco movimentados servem como abrigo perfeito. Na área urbana, a limpeza de quintais e terrenos baldios é a melhor prevenção. Na área rural, a atenção deve ser redobrada em paióis, pilhas de lenha e proximidades de cursos d'água”, esclarece.


Para quem trabalha ou transita no campo, é indispensável o uso de perneiras e botas de cano alto. Já no ambiente doméstico, a orientação é o 'contato visual, mas não físico'. “Ao avistar uma serpente, a pessoa nunca deve tentar capturá-la por conta própria”, alerta.

A orientação, seja no campo ou na cidade, é manter a calma, afastar crianças e animais domésticos, isolar a área e acionar a Polícia Militar Ambiental, enquanto faz o monitoramento visual de forma segura e à distância, para facilitar a agilidade do resgate. “Não tente acuá-la ou matá-la, isso aumenta a chance de um ataque defensivo”, esclarece, lembrando ainda que matar um animal silvestre é considerado crime ambiental pela legislação brasileira.

A subcomandante esclarece ainda que a prioridade após a captura, é sempre o retorno à natureza. Se o animal estiver saudável, é feita a soltura imediata em área de reserva distante do perímetro urbano. Se a serpente apresentar ferimentos ou sinais de que está debilitada, é feito encaminhamento ao CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), para tratamento e posterior reintrodução ao habitat.

O telefone do 2º BPMA para informar sobre serpentes é o (67) 3428-0384, que também é WhatsApp. Em qualquer localidade, ainda é possível ligar no 190 da Polícia Militar para encaminhamento.

Em caso de acidente, a orientação é lavar o local com água e sabão e procurar imediatamente atendimento médico. Em Dourados, a referência é a UPA (Unidade de Pronto Atendimento Médico), onde tem o soro específico utilizado no tratamento, a depender da espécie de serpente envolvida.

 



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