• Quarta, 12 de Agosto de 2026

CONSELHO DE SAÚDE CRITICA TERCEIRIZAÇÃO E APONTA FALHAS ESTRUTURAIS NA REDE DE CAMPO GRANDE

FONTE: ASSESSORIA POR: RENAN NUCCI CREDITO: PEDRO ROQUE


A tentativa de terceirizar unidades de saúde em Campo Grande foi duramente criticada na manhã desta terça-feira (31), durante a Palavra Livre da Câmara Municipal. O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, alertou que a medida não enfrenta os principais problemas da rede pública e pode desviar o foco do que realmente precisa ser resolvido.

“Trocar o modelo de gestão não resolve os gargalos da saúde. O problema não está só dentro das unidades, está na falta de leitos, na demora para internação e na desorganização do fluxo da rede”, afirmou ele, que usou a Palavra Livre a convite do vereador Landmark Rios (PT).

Segundo ele, a proposta de entregar unidades para Organizações Sociais (OS) vem sendo apresentada como solução rápida para um problema que, na prática, é estrutural.

“Não podemos aceitar uma solução mágica para problemas que são profundos. A mudança administrativa não cria leito, não resolve a superlotação e não melhora a retaguarda hospitalar”, destacou.

Jader também rebateu o argumento de que a terceirização resolveria falhas no abastecimento de medicamentos e insumos.

“Falta de remédio, reagente ou equipamento não é só problema de licitação. É falha de planejamento, de estoque e de gestão. E isso pode acontecer tanto na gestão pública quanto na terceirizada”, pontuou.

Ele ainda chamou atenção para o risco de se adotar metas como critério de eficiência.

“Meta não é sinônimo de qualidade. É possível bater meta e continuar oferecendo um atendimento ruim, apressado e pouco resolutivo”, disse.

R$ 1,2 BILHÃO EM RECURSOS E FALTA DE GESTÃO
Durante a sessão, o vereador Landmark Rios (PT) reforçou as críticas e afirmou que o principal problema da saúde em Campo Grande não é falta de dinheiro, mas sim de gestão.

Segundo ele, apenas em 2025, o município recebeu cerca de R$ 1,2 bilhão do Governo Federal, por meio do SUS. “A saúde não pode ser tratada como mercadoria. O que nós precisamos discutir aqui é gestão. Qual é o modelo de gestão que queremos? Porque recurso existe, mas o resultado não chega na ponta”, afirmou.

O vereador também defendeu a ampliação do debate sobre o tema, envolvendo município, Estado, Governo Federal e parlamentares. “Nós não vamos permitir gambiarra na saúde pública. É preciso fazer um debate sério, com responsabilidade, porque isso impacta diretamente a vida das pessoas”, disse.

Landmark ainda chamou atenção para outro problema crítico da rede, que é a demora na realização de exames, que evidencia falhas na organização do sistema.

Segundo dados divulgados pela própria Prefeitura, a pedido do Ministério Público, que apura a situação, milhares de pacientes aguardam por procedimentos essenciais.

ENTRE OS PRINCIPAIS CASOS:
- 11.410 pessoas aguardam ressonância magnética, com mais de 1.400 meses de espera acumulada
- 6.175 pacientes esperam por endoscopia
- 1.703 estão na fila para colonoscopia
- 559 aguardam polissonografia, com até 70 meses de espera

ALÉM DISSO, HÁ EXAMES COM ZERO OFERTA DE VAGAS, COMO:
- Cintilografia
- Ecocardiograma infantil
Endoscopia respiratória

Para o vereador, esses números mostram que o problema central não será resolvido com mudança de gestão. “Nós temos milhares de pessoas esperando anos por um exame. Isso não se resolve com terceirização, se resolve com planejamento, organização e investimento correto na ponta”, concluiu.

 



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