• Quarta, 12 de Agosto de 2026

LEGISLATIVO DE DOURADOS IGNORA POSSE DE 50 NOVOS AGENTES DE ENDEMIAS

POR: REDAçãO PRONTO FALEI CREDITO: MARIANA ROCHA/PLANTãO DO MS


A ausência absoluta de parlamentares na manhã deste sábado (4) ecoaram mais forte que os discursos oficiais no plenário da Câmara Municipal de Dourados. No centro do palco, a esperança: 50 novos Agentes de Combate às Endemias (ACEs) tomavam posse para uma missão crítica. Nas cadeiras do Poder Legislativo, onde deveriam estar os vereadores, impera o vazio absoluto.


Enquanto a região enfrenta uma epidemia de chikungunya que ameaça colapsar o sistema de saúde, especialmente em áreas de vulnerabilidade, o Legislativo local parece ter dado as costas à linha de frente.


A contratação dos 50 novos agentes ocorre em caráter emergencial e é fruto de uma mobilização robusta coordenada pelo Ministério da Saúde, via Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), em parceria com o DSEI-MS, AgSUS e o Polo Base de Dourados. O objetivo é claro: conter o avanço desenfreado da chikungunya no território indígena do município.


A cerimônia foi prestigiada por nomes do alto escalão da saúde pública, incluindo: Licinha Tremembé, Secretária da SESAI; Marcio Figueiredo, Secretário Municipal de Saúde; Lindomar Terena, Coordenador do DSEI/MS.


O alinhamento entre as esferas federal e municipal era evidente, reforçando que a crise sanitária exige esforços conjuntos. Porém, o elo local dessa corrente — o vereador — não foi encontrado.


A ironia da situação não passou despercebida por líderes indígenas e autoridades presentes. O evento ocorreu justamente no plenário da Câmara, a "casa do povo", onde recentemente foi criado o Comitê Emergencial da Reserva Indígena de Dourados.


"Os vereadores dizem estar super preocupados com o avanço da chikungunya, criaram até comitê, mas não aparecem em um ato tão crucial quanto este. Vai entender a cabeça desses parlamentares", desabafou um dos participantes, sob condição de anonimato.


A ausência coletiva levanta um questionamento incômodo sobre as prioridades do Legislativo douradense. Se a saúde da população indígena e o combate a uma epidemia que se alastra pela cidade não são motivos suficientes para a presença de um único representante, o que seria?


Enquanto o Governo Federal demonstra uma resposta rápida e efetiva com a injeção de recursos humanos no território, o vácuo deixado pelos vereadores sinaliza uma desconexão preocupante entre a retórica política e a ação prática.


Os 50 novos agentes começam a atuar imediatamente. Eles são a barreira física contra o mosquito e a esperança de centenas de famílias. Já os vereadores, ao menos neste sábado, preferiram o distanciamento — não o social, recomendado pela saúde, mas o político, ignorando aqueles que foram contratados para salvar vidas dentro da própria casa legislativa.



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