INVISIBILIDADE ROMPIDA
DADOS INÉDITOS REVELAM A NOVA FACE DOS POVOS ORIGINÁRIOS EM MATO GROSSO DO SUL
Plataforma lançada pelo Observatório da Cidadania detalha o perfil socioeconômico e a distribuição populacional indígena, trazendo luz a uma realidade que vai muito além das aldeias. Observatório mostra Dourados em segundo lugar
POR: REDAçãO, PRONTO FALEI, COM INFORMAçõES DO OBSERVATóRIO DA CIDADANIA DE MATO GROSSO DO SUL CREDITO: ARQUIVO/REPRODUçãO
Mato Grosso do Sul acaba de ganhar uma ferramenta fundamental para transformar a formulação de políticas públicas voltadas aos povos originários. O Observatório da Cidadania, vinculado à Secretaria Estadual de Cidadania (SEC), apresentou nesta semana um painel digital inédito, que consolida dados sobre a presença, diversidade e as condições socioeconômicas das populações indígenas em todos os 79 municípios do estado.
O projeto chega em um momento de mudança de paradigma. Com a terceira maior população indígena do Brasil — totalizando 116.469 pessoas, o que representa 6,9% do total nacional —, o estado deixa de ser visto apenas através de uma lente generalizada para ser compreendido em sua complexidade territorial e demográfica.
UM NOVO OLHAR SOBRE O TERRITÓRIO
A grande relevância do painel, que cruza dados do Censo 2022 (IBGE) e informações da Funai, é a capacidade de mapear a população indígena para além dos limites tradicionais das terras demarcadas. Embora 59% da população indígena sul-mato-grossense resida em terras indígenas, a parcela significativa da população que habita áreas urbanas e outras localidades de ocupação indígena agora ganha dados precisos.
"Este painel tem como objetivo dar visibilidade à presença e à diversidade dos povos originários em Mato Grosso do Sul. Ao reunir informações sobre distribuição territorial, perfil populacional e condições socioeconômicas, ele tem como propósito contribuir para o reconhecimento das especificidades culturais e históricas desses povos e para o fortalecimento de políticas públicas mais justas e direcionadas", destaca o coordenador do Observatório da Cidadania, professor Samuel Leite de Oliveira.
RAIO-X DOS POVOS ORIGINÁRIOS NO MS
O painel, que é gratuito e possui navegação intuitiva, permite uma análise detalhada sobre o perfil demográfico do estado. Entre os destaques levantados pelo Observatório, figuram:
- COMPOSIÇÃO DEMOGRÁFICA: A maior parte da população é formada por jovens, na faixa etária entre 15 e 29 anos.
- REPRESENTATIVIDADE: As mulheres são maioria, compondo 50,7% da população indígena do estado.
- DISTRIBUIÇÃO: O município de Dourados destaca-se como o segundo em importância populacional no mapa dos povos originários em MS.
- ABRANGÊNCIA: A plataforma organiza dados cruciais sobre natalidade, envelhecimento, educação, moradia e etnias.
A iniciativa adota um critério amplo para a definição da população indígena, garantindo maior fidedignidade aos números. O estudo considera como indígena tanto quem reside em localidades reconhecidas quanto quem se autodeclara indígena pelo quesito cor/raça ou por consideração própria, independentemente da localização geográfica.
A ferramenta já está disponível para consulta e promete ser um divisor de águas para pesquisadores, gestores públicos e para a própria sociedade civil, que agora conta com um banco de dados robusto para reivindicar direitos e monitorar o desenvolvimento das comunidades originárias em Mato Grosso do Sul.
Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul: https://observatoriodacidadania.ufms.br/povos-originarios/
