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ULTIMATO EM DOURADOS: PREFEITURA ENDURECE O JOGO E VAI MULTAR E CORTAR FIOS INVISÍVEIS QUE AMEAÇAM A POPULAÇÃO
Após anos de omissão de gigantes da telefonia e da Energisa, município inicia operação ostensiva; multas se acumulam e fiação obsoleta será removida à força
POR: REDAçãO, PRONTO FALEI CREDITO: A. FROTA
A paciência do poder público com o "caos aéreo" que tomou conta das ruas de Dourados chegou ao fim. A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), iniciou uma operação de tolerância zero para identificar e multar empresas de telefonia, internet e a concessionária de energia Energisa. O motivo? A demora crônica e a negligência na remoção de fios obsoletos e arrebentados que transformaram as vias públicas em armadilhas urbanas.
"Pedimos que providências fossem tomadas para acabar não apenas com essa poluição visual, mas, sobretudo, com o risco que esses fios soltos oferecem aos motociclistas, ciclistas e pedestres", afirma o secretário-adjunto da Semsur, Ângelo Augusto Gomes. "Diante da omissão das empresas, as equipes do Código de Postura passarão a emitir as multas e o próximo passo será a remoção unilateral desses fios."
Os dados da Semsur revelam um cenário de reincidência e aparente indiferença por parte das operadoras. O município vem tentando resolver o problema de forma amigável desde 2025, mas os números mostram que a fiscalização precisou pisar no acelerador.
Histórico de 2025: 332 notificações emitidas e 182 multas lavradas.
Explosão em 2026 (Janeiro a Abril). Em apenas quatro meses, o número disparou para 461 notificações e 241 multas aplicadas. Antes da atual ofensiva, o município já contabilizava 725 notificações preliminares e centenas de autos de infração e apreensão.
Para a administração municipal, o comportamento das empresas beira o desrespeito. "A sensação é que essas empresas não levam a sério as notificações que o município emite, num gesto de pouco caso não apenas com o poder público, mas, também, com a população douradense", lamenta Ângelo Gomes.
A operação não é um ato isolado, mas o cumprimento rigoroso da legislação vigente. Todas as operadoras são obrigadas a seguir as normas do Código de Posturas do Município e da Lei Municipal nº 4.522/2020, que exige:
1 - Manutenção periódica da rede;
2 - Retirada imediata de cabos e fios desativados;
3 - Identificação correta de cada linha instalada.
O descumprimento dessas regras dói no bolso. Cada notificação ignorada após o prazo de 30 dias gera uma multa de 50 UFERMS. O detalhe crucial: a punição é solidária, valendo tanto para a empresa dona do fio quanto para a Energisa, que compartilha e aluga os postes.
Desde o início da gestão do prefeito Marçal Filho, o combate ao emaranhado de cabos foi colocado como prioridade de segurança pública e estética urbana. O visual degradado da cidade, segundo a prefeitura, prejudica o comércio e o turismo, além do risco iminente de acidentes graves com motociclistas.
Com a criação de um grupo de trabalho permanente, a Prefeitura espera que as empresas finalmente colaborem. Caso contrário, o recado está dado: as equipes do município vão subir nos postes e cortar, por conta própria, tudo o que estiver irregular ou abandonado.
