• Quarta, 02 de Setembro de 2026

PANTANAL: INCÊNDIOS DISPARAM MAIS DE 1000%; FOGO CHEGA PRÓXIMO À PONTE BIOCEÂNICA

NA REGIãO DO PARAGUAI-MIRIM, INCêNDIO FLORESTAL LEVOU AMEAçA PARA AS PROXIMIDADES DA ESCOLA JATOBAZINHO E AVIãO FOI USADO PARA RESGUARDAR DUAS CASAS PRóXIMAS à áREA DE RISCO NO DECORRER DO ANO, O PANTANAL ATRAVESSA DOIS PERíODOS: O DO FOGO E O DA áGUA. N


Fonte: Folha de Dourados Por: Correio do Estado e G1/MS Credito: Guilherme Giovanni

Na região do Paraguai-Mirim, incêndio florestal levou ameaça para as proximidades da Escola Jatobazinho e avião foi usado para resguardar duas casas próximas à área de risco

No decorrer do ano, o Pantanal atravessa dois períodos: o do fogo e o da água. Neste ano, a temporada das chamas, que começaria em julho, chegou mais cedo e com força: em Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso, os focos de incêndio nos seis primeiros meses de 2024 aumentaram 1025% se comparados ao mesmo período de 2023. Enquanto isso, o rio Paraguai, que é principal bacia do bioma, já registra seca recorde: está mais de 2 metros abaixo da média.

Em Mato Grosso do Sul (onde está 60% do Pantanal no Brasil) foram registrados 698 focos, entre janeiro e junho de 2024. No ano passado, foram 62 no mesmo período. Em Mato Grosso (onde fica 40% do bioma), foram 495 focos de incêndio em 2024, contra 44 em 2023. Somando os números dos dois estados, foram:

2024: 1193 focos de incêndio entre 1º de janeiro e 7 de junho;
🔥 2023: 106 focos de incêndio entre 1º de janeiro e 7 de junho.
Os dados são do Programa de BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e também revelam que, em 2024, o Pantanal já tem o 2º maior índice de incêndios desde 2010, atrás apenas de 2020, quando o fogo consumiu cerca de 4 milhões de hectares — o equivalente a cerca de 26% do bioma.

Já relatório mais recente divulgado pela Diretoria de Proteção Ambiental (DPA) do Corpo de Bombeiros Militar do MS mostra que os incêndios no Pantanal, que se intensificaram na última semana, chegou próximo à ponte bioceânica.

Segundo a DPA, a guarnição mais próxima, atuante na região de Porto Murtinho, foi acionada ainda neste sábado para combate um foco de incêndio que, segundo informações, foi detectado ao lado da ponte.

Com isso, foi necessário o emprego de uma embarcação fornecida por fazendeiros locais para que os bombeiros pudessem reconhecer a situação, estudando a melhor forma de realizar o combate.

Isso acontece porque, além do difícil acesso, as fortes rajadas de vento dificultam o combate às chamas.

Conforme o último balanço, o foco mais recente que surgiu na região do Paraguai Mirim, identificado logo no início da manhã de sábado (08) por aeronave, estava em uma área sem acesso por terra, sendo que duas casas foram identificadas próximas à área de risco.

Para resguardar essas residências, o Air Tractor com capacidade para 3,1 mil litros de água foi usado para agilizar a resposta.

Cabe apontar que ainda na tarde de ontem (08) os bombeiros foram com a aeronave, Harpia 01, próximo à região do Rio Negro, com a ideia de pernoitar no local para monitorar a área das propriedades que foram atingidas pelo incêndio florestal.

A região do Paraguai Mirim é onde está localizada também a Escola Jatobazinho, que os bombeiros afirmam ter sofrido com as fortes rajadas de vento, que ainda na sexta-feira (07) precisou ser evacuada.

DEMAIS FOCOS
Com bases atuando na manutenção dos equipamentos, testes operacionais e monitoramentos, cerca de 83 militares trabalham na Operação Pantanal de combate aos incêndios no bioma.

São cinco militares cada nos dois grupamentos que contam com aeronaves (Air Tractor e Harpia 01), além de outros 73 bombeiros militares em campo agindo no combate aos incêndios que já consumiram quase 40 hectares nas últimas duas semanas.

Enquanto o foco próximo ao Porto Laranjeira segue controlado – com aproximadamente 11,5 mil hectares destruídos -, o monitoramento é constante nesse e em outros pontos, já que as fortes rajadas podem reviver os focos já apagados.

A região do Fort Coimbra contabiliza cerca de 1.097 hectares destruídos pelas chamas, enquanto a parte mais afetada segue sendo próximo à Corumbá, onde a área queimada soma 12.533 hectares aproximadamente.

Como já abordado pelo Correio do Estado, com base em informações da DPA do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul, os cinco focos principais que estão sendo combatidos tiveram início nas seguintes datas:

05 de junho | foco em Fort Coimbra
31 de maio | foco próximo ao Porto Laranjeira
05 de junho | foco próximo à escola Jatobazinho
02 de junho | foco na Região próximo a Corumbá;
05 de junho | foco próximo ao Frigorífico Caimasul:
Além do perigo das chamas, a fumaça tem sido prejudicial, principalmente com as rajadas de vento empurrando o produto dos incêndios para o perímetro urbano, fato que fez com que a Cidade Branca de Corumbá ganhasse um aspecto cinza há mais de uma semana.

Como já explicou o chefe de operações do Sistema de Comando de Incidentes da DPA, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado, Capitão Pedroso, a fumaça branca se dá por conta do tipo de material que o fogo está consumindo, por se tratar de incêndio em vegetação verde e úmida.

“Tem também grande área alagada nessa região, então, por isso, que dá essa coloração aí para fumaça”, esclarece o chefe de operações do sistema de comando de incidentes.



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