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“MINHA MÃE ERA MEU XODÓ”, DIZ FILHO DE MULHER MORTA APÓS TER CORPO QUEIMADO
FONTE: CAMPO GRANDE NEWS POR VIVIANE OLIVEIRA E RAíSSA ROJAS CREDITO: DIVULGAçãO/REPRODUçãO
A vítima trabalhava como camareira na propriedade desde 2022 e, segundo o filho, era viúva há 17 anos. “Desde que meu pai faleceu, ela nunca mais teve relacionamento nenhum”, contou. Ele afirmou ainda que o autor, identificado como Lourenço Xavier, de 54 anos, não tinha qualquer tipo de vínculo com a mãe. “Nunca vi ele na vida", afirmou.
Abalado, o jovem de 29 anos, que pediu para não ser identificado, falou com a reportagem na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada), enquanto fazia a liberação do corpo da mãe.
Ele relembrou que já havia alertado Eliana sobre os riscos de continuar trabalhando na fazenda. “Eu sempre falava: não volta, não volta. Toda vez ela tinha desavença, de peão ficar bêbado e dar em cima", lamentou. O rapaz confirmou que a mãe já havia sofrido episódios de assédio no local e criticou a negligência da administração da propriedade.
Emocionado, disse que a mãe era tudo o que lhe restava. “Meu irmão faleceu há três anos por causa natural. Era só eu e minha mãe, único laço de sangue que me restava. Agora que ela se foi, eu não tenho praticamente ninguém”, disse.
Com dificuldades financeiras, o jovem ainda não sabe como será feito o velório. “Nossa família é distante. A rede de apoio dela era eu”, destacou. Eliana foi socorrida de helicóptero pelo Corpo de Bombeiros após o ataque, ocorrido na tarde de sexta-feira (6), mas não resistiu às queimaduras e morreu horas depois. O capataz, suspeito pelo crime, foi preso em flagrante.
O delegado explicou que o autor do crime, teria se irritado após ter uma proposta de relacionamento recusada pela vítima. “Algumas informações iniciais e áudios que tivemos acesso dão conta de que ele teria proposto um relacionamento à vítima, mas ela disse não. Ele não aceitou e, por esse motivo, ateou fogo nela. Por esse menosprezo ao gênero da mulher, à condição de mulher, o crime se enquadra como feminicídio sim, apesar de não haver relação íntima ou familiar entre eles”, afirmou.
O CASO - Eliana sofreu queimaduras de 2° e 3° graus e teve 90% do corpo atingida depois de Lourenço jogar gasolina e atear fogo nela. O crime ocorreu por volta das 14h de ontem. Equipes do Grupamento de Operações Aéreas e Unidade de Resgate e Suporte Avançado do Corpo de Bombeiros Militar, realizaram o transporte da vítima em um avião, mas ela chegou à Santa Casa da Capital sem sinais vitais. O óbito foi confirmado às 23h30.
Na rede social, o Grupamento de Operações Aéreas informou que realizou pela primeira vez na história um resgate aéreo noturno no Pantanal.
