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DISCURSO DA PRESIDENTE DA CÂMARA DE DOURADOS NA RETOMADA DE OBRA LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE COERÊNCIA POLÍTICA
Discurso em retomada reacende a hipocrisia do Poder
PRONTO FALEI
Durante a cerimônia que marcou a retomada das obras do Centro de Educação Infantil Municipal (CEIM) da Vila Erondina, em Dourados, a presidente da Câmara Municipal, vereadora Liandra Brambilla, fez declarações contundentes ao comentar a paralisação do empreendimento.
EM SEU PRONUNCIAMENTO, AFIRMOU:
“Hoje, não estamos aqui apenas assinando uma ordem de serviço; estamos corrigindo uma injustiça com a população de Dourados.”
EM OUTRO TRECHO DO DISCURSO, ACRESCENTOU:
“Essa obra começou em 2017, paralisou em 2019 e está até hoje parada — prova de que os gestores anteriores não tiveram compromisso com a população de Dourados, nem com as mães daqui.”
Entretanto, as declarações levantaram questionamentos no meio político local. A paralisação da obra ocorreu em 2019, ainda durante a gestão da então prefeita Délia Razuk. Naquele período, a atual presidente da Câmara integrava o primeiro escalão da administração municipal.
Posteriormente, em 2021, já no governo do ex-prefeito Alan Guedes, o contrato da obra foi rescindido unilateralmente pela administração municipal. Naquele momento, Liandra Brambilla já exercia mandato como vereadora, função que carrega naturalmente o papel de fiscalização das ações do Poder Executivo.
Diante desse contexto, a crítica apresentada no discurso acaba gerando um inevitável ponto de interrogação no debate público: ao apontar falhas das gestões anteriores, a parlamentar também fazia parte do ambiente político e administrativo em que essas decisões ocorreram.
A retomada da obra é, sem dúvida, uma conquista importante para a população da Vila Erondina. No entanto, o episódio reacende uma reflexão necessária sobre coerência política, responsabilidade compartilhada e memória administrativa dentro da gestão pública. Afinal, quando se trata de obras públicas paralisadas, a sociedade costuma se perguntar: quem realmente estava do lado da solução — e quem fazia parte do problema?
