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UM GRITO DE SOCORRO NA ESCURIDÃO: O DRAMA DE MARIA CLÁUDIA E A DOR APRESSADA DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA
"Será que eu fui negligente? Será que fui incapaz? Eu fui em todos os órgãos possíveis, mas não consegui nada."
POR: REDAçãO, PRONTO FALEI CREDITO: ARQUIVO PESSOAL
O desabafo emocionado e embargado é de Maria Cláudia Santos de Souza. Aos olhos de quem vê de fora, pode parecer apenas mais uma estatística, mas por trás das palavras carregadas de dor existe uma mãe e esposa desesperada, que há cinco anos trava uma batalha silenciosa contra o monstro do vício em drogas que destruiu a paz de seu lar.
Em um apelo visceral enviado à redação do Pronto Falei, Maria Cláudia dá voz a uma ferida aberta que sangra no peito de milhares de famílias: a ausência de amparo do Estado quando a doença da dependência química bate à porta.
Residente em Dourados e casada há dez anos, Maria Cláudia viu a estrutura do seu lar desmoronar gradativamente. O marido que é pai de seus filhos, não é visto por ela como um criminoso, mas sim como uma pessoa profundamente fragilizada e doente, completamente capturado pelo vício.
A dependência química é uma algema invisível. Ela rompe laços, rouba a lucidez e transforma a pessoa amada em um estranho.
"Uma pessoa que é viciada em drogas não adoece apenas ela, adoece a família toda que convive com este tipo de situação," relata Maria, com o coração em pedaços.
Nesta quinta-feira (13), o desespero atingiu seu ápice. Dominado pela fissura e completamente alterado pela falta de substâncias, seu esposo entrou em surto. Sem ter a quem recorrer, a polícia precisou ser acionada para conter a crise. As imagens de seu marido contido e recebendo choques de equipamentos de menor potencial ofensivo não saem da cabeça da esposa, traumatizada com o uso da força policial para conter o que deveria ser um caso médico.
AS PORTAS FECHADAS E O VAZIO DAS AUTORIDADES COMPETENTES
A grande tragédia na vida de Maria Cláudia não é apenas a convivência com o vício, mas a sensação de falar e ninguém escutar.
Há cinco anos ela busca a internação compulsória do marido, uma medida médica de emergência para salvar a vida dele e proteger seus filhos. Na busca por ajuda, Maria bateu à porta dos órgãos estaduais, do Ministério Público, recorreu à Defensoria Pública, procurou delegacias e enviou e-mails para diversas autoridades.
O resultado? Uma sequência dolorosa de portas fechadas e silêncio.
Enquanto propaganda e campanhas antidrogas são veiculadas diariamente na televisão, na vida real a dor dessa mãe não encontra resposta nos serviços de grande porte do Estado. Como punição cruel pela falta de um tratamento de saúde para o marido, a Justiça chegou a recolher provisoriamente seus filhos para a casa de familiares, tirando de Maria o bem mais precioso de sua vida por uma falha que não é dela.
UM PEDIDO DE SOCORRO QUE EXIGE RESPOSTA
Mesmo vendo sua família despedaçada, Maria Cláudia recusa-se a guardar ódio no coração. "Eu sempre fui ensinada a oferecer bondade e assim vou ser até morrer", afirma. Ela não quer que seu esposo seja preso; ela clama por médicos, clínicas, tratamento científico e acolhimento humano.
A dor de Maria Cláudia é um espelho para tantas outras famílias que sofrem no anonimato. O vício não se cura com algemas, nem com campanhas publicitárias. Cura-se com políticas públicas sérias e sensibilidade humana por parte das autoridades competentes.
Ela conclui com uma súplica que deve ecoar nos gabinetes de cada autoridade do Estado:
"Nós precisamos muito da ajuda das autoridades, pois ele sozinho não está conseguindo sair disso e eu não tenho forças para ajudar ele sozinha. Por favor, atendam ao meu grito de socorro."
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