O FANTASMA DA IMPUNIDADE
ISA JANE RETORNA À CÂMARA, MAS ESCANTEIA COMISSÃO DE ÉTICA
POR: REDAçãO, PRONTO FALEI COM INFORMAçõES DO VOZ DA COMUNIDADE DOURADOS CREDITO: ARQUIVO
O cenário na Câmara Municipal de Dourados nesta sexta-feira (15) beirou o surrealismo político. Após 15 dias afastada por uma cirurgia cardíaca de urgência, a vereadora Isa Jane Marcondes (Republicanos) finalmente pisou novamente na sede do Legislativo. No entanto, o "retorno" foi seletivo: a parlamentar ignorou a audiência da Comissão de Ética que analisa a cassação de seu mandato, deixando cadeiras vazias e um rastro de indignação.
Enquanto os membros da comissão — Rogério Yuri (PSDB), Laudir Munaretto (MDB) e Cemar Arnal (PP) — a aguardavam no Plenarinho às 9h, a vereadora, tecnicamente apta ao trabalho após o fim de seu atestado médico ontem, optou por não dar as caras.
A assessoria da parlamentar correu para apagar o incêndio, alegando que Isa Jane estava em consulta médica no exato momento do depoimento e que um novo atestado será apresentado. Contudo, a manobra soa como mais um capítulo de uma estratégia de protelação.
Para quem assiste de fora, a pergunta é inevitável: como uma parlamentar tem saúde para retornar à Casa de Leis, mas não para responder sobre suas próprias condutas diante de seus pares?
Isa Jane não é uma novata no banco dos réus da moralidade pública. Embora tenha sido a campeã de votos em 2024, sua trajetória é marcada por um volume alarmante de denúncias, como por exemplo, a Invasão e abuso na UPA. Servidores denunciam que a vereadora viola o direito de descanso dos trabalhadores em "fiscalizações" cinematográficas.
Farra da CEAP: Investigação sobre o uso indevido de verba pública destinada ao exercício da função e as acusações de disseminar informações falsas contra empresas que prestam serviços ao Estado.
"A fiscalização é dever do vereador, mas o espetáculo e o desrespeito aos trabalhadores da saúde extrapolam qualquer limite do decoro parlamentar."
A SOMBRA DA INCOMPETÊNCIA LEGISLATIVA
O que torna o caso ainda mais grave é o histórico de leniência da Câmara de Dourados. Recentemente, a Comissão de Ética permitiu que uma investigação contra a mesma vereadora caducasse por um "erro grosseiro" na contagem de prazos.
Essa falha técnica deixou servidores da UPA sem resposta e alimentou a sensação de que o Legislativo douradense opera sob a égide da autoproteção. O "sumiço" de hoje, em pleno dia de retorno oficial, testa mais uma vez a paciência da sociedade e a seriedade da instituição.
O QUE VEM A SEGUIR?
A Comissão agora aguarda a papelada médica para decidir se marca uma nova data ou se o processo seguirá para o desfecho sem o depoimento da ré. Em Dourados, onde o prazo parece ser o maior inimigo da justiça, o silêncio de Isa Jane grita mais alto que seus discursos de campanha.
