Teto de Vidro
COBRANÇAS SOBRE PREÇOS E ESTRUTURA OFUSCAM BALANÇO DA 60ª EXPOAGRO NA CÂMARA DE DOURADOS
Por trás dos discursos de celebração e dos números do evento, a realidade do bolso do cidadão e as falhas estruturais da feira agropecuária de Dourados viraram munição política no legislativo
POR: REDAçãO PRONTO FALEI CREDITO: MONTAGEM
O que era para ser uma agenda de pura cortesia e troca de afagos políticos transformou-se em um tremendo mal-estar institucional na noite desta segunda-feira (25), na Câmara Municipal de Dourados. O presidente do Sindicato Rural, Gino Ferreira, foi à Casa de Leis para colher os louros da 60ª Expoagro, mas acabou protagonizando uma das maiores "saias justas" do ano legislativo ao ser confrontado publicamente pelas falhas de organização e os custos abusivos do evento.
Gino utilizou a tribuna com um roteiro previsível: agradeceu o apoio financeiro e político dos parlamentares, exaltou o sucesso de público na arena da 41ª Festa do Peão de Boiadeiro — que resistiu ao frio intenso — e justificou os percalços climáticos, como a tempestade que adiou o show do cantor Natanzinho Lima para o último domingo (24).
"Apoiar um evento não é apenas financeiramente, é estar junto, discutindo, criticando, apoiando e elogiando", discursou o dirigente, sem imaginar que a parte do "criticando" seria aplicada de forma tão literal e imediata.
O clima de festa ruiu assim que a vereadora Isa Marcondes assumiu o microfone. Rompendo o protocolo da tradicional complacência política com o setor do agronegócio, a parlamentar olhou fixamente para Gino Ferreira, sentado na primeira fileira de convidados, e disparou: “Não vou elogiar porque não tem o que ser elogiado”.
A partir daí, o discurso da vereadora ecoou o sentimento de grande parte da população douradense que frequentou o Parque de Exposições entre os dias 8 e 17 de maio. Isa Marcondes listou problemas que contrastam severamente com a opulência do setor:
- PREÇOS ABUSIVOS: A elitização do evento por meio do custo proibitivo de alimentos e bebidas dentro do recinto.
- ESTRUTURA DEFICIENTE: Críticas contundentes às condições do parque de diversões oferecido às famílias.
- FALTA DE RETORNO AO PÚBLICO: A desconexão entre os altos valores cobrados nos ingressos de shows e a infraestrutura precária entregue ao pagante.
Enquanto a parlamentar subia o tom, exigindo que a organização repensasse urgentemente o formato da feira para torná-la mais acessível e digna, o constrangimento de Gino Ferreira era visível a quem acompanhava a sessão.
A crítica da vereadora toca em uma ferida antiga das grandes feiras agropecuárias do país: o distanciamento entre o show business do agro e a realidade financeira do cidadão comum. Embora o show de Natanzinho Lima tenha tido pista gratuita no domingo como compensação pelo adiamento, o saldo geral que fica para o público é o de um evento caro e que entrega menos do que promete.
A cobrança contundente na Câmara Municipal deixa um recado claro ao Sindicato Rural: para a 61ª edição, a narrativa de "sucesso absoluto" baseada apenas em arenas lotadas não será suficiente para blindar a organização da insatisfação popular e do escrutínio político. A população quer festa, mas exige respeito ao bolso e segurança na estrutura.
