ABSOLVIDA POR UNANIMIDADE
O DIA EM QUE O PLENÁRIO SILENCIOU DIANTE DO VEREDICTO DE ISA MARCONDES
POR: REDAçãO PRONTO FALEI CREDITO: ARQUIVO
A tarde desta sexta-feira (29) não foi apenas mais uma data no calendário legislativo de Dourados. O clima no plenário da Câmara de Vereadores oscilava entre a tensão palpável e a expectativa sufocante. No banco dos réus, a vereadora mais votada da cidade em 2024, Isa Marcondes (Republicanos), encarava o fantasma da cassação. Fora dele, o destino de sua carreira política estava nas mãos de seus pares.
O desfecho, porém, veio como um estrondo de alívio para a parlamentar: por 20 votos a zero, o plenário decretou a sua absolvição.
A tempestade política começou a se desenhar em fevereiro, quando uma denúncia protocolada pelo advogado Wagner Batista da Silva ameaçou desmoronar o mandato conquistado por Isa nas urnas. A acusação era grave: uso indevido de dinheiro público.
Segundo a denúncia, recibos de combustíveis de 2025 sugeriam que a Cota para Exercício de Atividade Parlamentar (Ceap) teria financiado viagens para eventos festivos na região e até fora do Estado de Mato Grosso do Sul. Para a opinião pública, a suspeita trazia o gosto amargo do privilégio; para Isa, significava a iminência de perder a voz que a população lhe confiara. Por força da lei, na condição de investigada, ela assistiu a tudo impedida de votar, restando-lhe apenas o silêncio da espera.
900 PÁGINAS DE INVESTIGAÇÃO E UM VEREDICTO AVASSALADOR
A resposta para a crise demandou um mergulho profundo na burocracia e nas provas. Durante quase três meses, a Comissão Processante — capitaneada pelo vereador Éderson Márcio Ramos, o Márcio Pudim (PSDB), ao lado de Cemar Arnal (PP) e Ana Paula Benitez (Republicanos) — esmiuçou cada quilômetro rodado e cada centavo gasto pela parlamentar.
O resultado foi um calhamaço imponente de mais de 900 páginas, construído com o suporte técnico da Procuradoria Jurídica da Casa. Quando Márcio Pudim subiu à tribuna para ler o relatório final, o plenário prendeu a respiração. Mas o que se ouviu não foi uma condenação, e sim o desmonte da tese acusatória.
"Não se identificaram provas concretas para justificar o pedido de reembolso de forma que caracterizasse a utilização da Ceap de forma indiscriminada e fora do que diz a lei", proferiu o relator, de forma categórica.
A VITÓRIA DA UNANIMIDADE
O que se seguiu foi o reflexo de um julgamento técnico que desarmou as paixões políticas. Um a um, os 20 vereadores aptos a votar acompanharam o relator. O placar de 20 a 0 não deixou margem para dúvidas ou contestações.
Ao se livrar de mais um pedido de cassação, Isa Marcondes não apenas preservou seu mandato, mas lavou a alma diante de uma acusação que desmoronou por falta de sustentação factual. A maior votada de Dourados deixa a sessão extraordinária desta sexta-feira com a cadeira mantida e a força política renovada, sob o peso de um julgamento que prometia o fim, mas resultou em absolvição histórica.
