O VALE-TUDO ELEITORAL DISFARÇADO DE FÉ NA MARCHA PARA JESUS

POR: REDAçãO PRONTO FALEI CREDITO: EDUARDO KNAPP/FOLHAPRESS


A Marcha para Jesus, que deveria ser um momento de fé e comunhão, virou um verdadeiro feirão de votos antecipado. Com os olhos fixos na corrida presidencial, políticos de todos os lados invadiram o evento em São Paulo para transformar o altar em palanque, mostrando que, para essa turma, o voto do crente vale ouro, mas a coerência passa longe

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, reapareceu no evento após anos de ausência. O motivo do "milagre"? A necessidade de garantir o apoio do eleitorado evangélico.


No topo do trio elétrico, Flávio meteu o pé no acelerador do radicalismo: falou em "guerra espiritual" e prometeu expulsar o "mal" do governo. Mas na hora de responder às perguntas difíceis dos jornalistas sobre economia ou sobre o racha interno com o governador Tarcísio de Freitas, o senador amarelou. Mandou um "aqui não é hora de falar de política", logo ele, que passou o dia inteiro fazendo exatamente isso.


O público respondeu: Apesar de não ser o favorito dos pastores — que preferem uma chapa com Tarcísio e Michelle Bolsonaro —, Flávio mergulhou no povão para garantir selfies e mimos, usando a imagem do pai para inflamar a militância.


Para tentar furar a bolha da direita, o governo federal mandou o ministro da AGU, Jorge Messias. Evangélico, Messias tentou equilibrar os pratos: Levou uma mensagem de Lula dizendo que "ali não era lugar de comício", e passou a maior parte do tempo isolado em um canto do carro de som; Usou o espaço para tentar limpar sua barra após ter o nome rejeitado pelo Senado para o STF, dizendo que agora "espera a resposta de Deus".


Na prática, a fala do ministro virou piada pronta, já que o evento era, sim, um grande comício a céu aberto.


Enquanto a USP estimava o público em modestas 33 mil pessoas — longe dos milhões que os organizadores costumam inflar —, o palco principal parecia uma prévia de convenção partidária.


Tarcísio de Freitas soltou a voz em louvores e adotou um tom messiânico para inflamar a massa, Ricardo Nunes, de olho na reeleição, correu para colar a sua imagem na de Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, que chegou atrasado por pura picuinha de bastidor, subiu ao microfone discursando como se estivesse em um debate de TV, atacando a corrupção e o narcotráfico.


O resumo da ópera é vergonhoso: a fé das pessoas virou massa de manobra. Líderes religiosos tratam governantes como "servos escolhidos" em troca de influência, enquanto os políticos usam jargões bíblicos para camuflar seus reais interesses de poder.


Em ano eleitoral, a Marcha para Jesus provou que, para essa elite política, o Reino dos Céus pode esperar — o que importa mesmo é o trono de Brasília.

 



Leia mais