ILUSÃO DIGITAL
COMO BILHETES DE VOTOS PODEM ESTAR ESCONDIDOS ATRÁS DE POUCAS CURTIDAS NO MS
Quem da direita sul-mato-grossense realmente fala com o eleitor do MS?
POR: REDAçãO PRONTO FALEI, COM INFORMAçõES DO CORREIO DO ESTADO CREDITO: REPRODUçãO
Um relatório exclusivo da plataforma Modash — ferramenta de auditoria digital usada pelas maiores agências de marketing do país — jogou um balde de água fria na narrativa de que "quem tem mais seguidor, tem mais voto". Ao analisar cinco lideranças de direita em Mato Grosso do Sul, o estudo revelou um cenário invertido: o político com menos seguidores é o que tem a comunicação mais real e eficiente com o eleitorado local.
No mercado político atual, o número de seguidores virou uma espécie de moeda de vaidade. No entanto, o algoritmo das redes sociais e o voto nas urnas não ligam para números inflados, mas sim para o engajamento real (as pessoas que realmente param, leem e interagem).
Quando olhamos para a taxa de engajamento dos pré-candidatos, o resultado impressiona:
EDSON GIROTO: Tem apenas 5,2 mil seguidores, mas lidera o envolvimento real com uma taxa de 1,94% (acima da média para o tamanho do seu perfil).
- MARCOS POLLON: O deputado federal mais votado em 2022 tem 373 mil seguidores, mas seu engajamento cai para 0,46%.
- CAPITÃO CONTAR: Com 110 mil seguidores, empata na lanterna de atenção com 0,46%.
- DR. LUIZ OVANDO: Tem 91 mil seguidores, mas amarga uma taxa quase invisível de 0,10%.
O QUE ISSO SIGNIFICA NA PRÁTICA?
A cada 100 pessoas que acompanham Giroto, quase duas interagem de verdade. No caso de Luiz Ovando, menos de um décimo de uma pessoa responde. Ter uma média de apenas 98 curtidas em uma conta de 91 mil seguidores é o principal sintoma de uma base fantasma ou totalmente desinteressada.
O FANTASMA DOS SEGUIDORES FALSOS
O ponto mais polêmico do relatório da Modash analisa a qualidade dessas bases. A plataforma rastreia comportamentos típicos de bots (robôs) e contas de "troca de seguidores" (perfis criados apenas para seguir milhares de outras pessoas em massa).
VEJA O PERCENTUAL DE SEGUIDORES SUSPEITOS EM CADA PERFIL:
- Rodolfo Nogueira: 79,41% Alerta Máximo (Altamente suspeita)
- Marcos Pollon: 18,10% Moderado
- Capitão Contar: 16,63% Moderado
- Dr. Luiz Ovando: 16,44% Moderado
- Edson Giroto: 8,67% Saudável (Base mais limpa do grupo
O perfil do deputado Rodolfo Nogueira acendeu o sinal vermelho da auditoria. Quase 80% de seus seguidores são classificados como suspeitos.
POR QUE O NÚMERO É TÃO ALTO?
- SUPERLOTAÇÃO DE FEEDS: 88,96% dos seguidores de Rodolfo seguem mais de 1.500 outras contas ao mesmo tempo. É matematicamente quase impossível que essas pessoas vejam as postagens do deputado no dia a dia.
- CONEXÕES INTERNACIONAIS ESTRANHAS: O relatório encontrou fatias de seguidores localizados na Índia (2,04%) e na Indonésia (1,04%), além de 7,14% de perfis que só interagem em inglês. Um padrão bizarro para um político que disputa votos no interior do Centro-Oeste brasileiro.
NOTA DE TRANSPARÊNCIA: A ferramenta Modash não afirma que os políticos compraram seguidores de forma deliberada. Esse fenômeno pode acontecer de forma orgânica quando o perfil usa temas de "gatilho ideológico radical" (como discursos inflamados sobre o MST ou a família Bolsonaro), atraindo redes automatizadas de apoio que inflam os números, mas esvaziam o debate local.
Na contramão do barulho digital, o perfil de Edson Giroto mostra o comportamento inverso. Cerca de 39,64% dos seus seguidores acompanham menos de 500 contas no total.
Isso desenha o perfil de um eleitorado seletivo: pessoas reais, do estado, que escolheram ativamente acompanhar o político e que prestam atenção no que ele pública.
As redes sociais mudaram o jogo político, mas o relatório deixa um aviso claro para as estratégias de marketing em Mato Grosso do Sul: tamanho não é documento. Na hora de converter cliques em votos na urna, o político que conversa de verdade com o vizinho do lado leva vantagem sobre aquele que ostenta milhares de aplausos vindos da Indonésia.
